Proposta - escrever um conto em que se preze mais pelas impressões do personagem que pelo próprio enredo (uma das características do Modernismo)

O Triste Fim de Joaquim Macedo

Após uma vida sofrida e corrida, meu amigo de oitenta e seis, Senhor Joaquim Macedo, faleceu. O dia começou muito mal, sem pássaros e sem aquele belo amanhecer espetacular dentre as montanhas, onde a imaginação se resplandece ao horizonte. Quando o telefone toca e a notícia trágica da morte do Seu Quim, como eu lhe chamava.
Seu Quim ficava todas as tardes vendo as pessoas passarem pela rua, e foi assim que o conheci e ficamos amigos, onde somente eu contava sobre minha vida e ele ouvia atenciosamente e me dava conselhos, muitos sábios por sinal.
Após o choque, não sabia se chorava ou se sorria, se falava, ou gritava, peguei o carro e fui á praça onde Seu Quim toda tarde ia, chegando lá, as pombas que no chão ciscavam estavam diferentes como se sentissem o triste fim de um companheiro. Pensei, refleti e me decidi ir ao velório.
Ao chegar, naquele local me senti tão mal e sufocada, como se tudo me fizesse chorar, as pessoas com trajes negros, dando mais ênfase ao clima negro que pairava sobre o lugar. Não tive coragem de chegar perto do corpo, em um relapso de memória tentei me aproximar e senti o chão desmoronar sobre meus pés, não conseguindo dar um passo nem à frente nem atrás.
Depois de horas, ali sendo velado, a funerária veio buscar o corpo, e ao jogarem a primeira pá de terra, senti como se dessem uma pancada em minha cabeça e vi que o fim de todos é morrer e "vestir o paletó de madeira" e ser jogado numa cova, onde poucas pessoas se lembram de você de verdade, não pelo que tem, mas como valor de pessoa.

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